Estatinas
↓ LDL ≈ 30–50% (conforme intensidade)Como age: Bloqueiam a produção de colesterol no fígado (enzima HMG-CoA redutase). Com menos colesterol, o fígado aumenta os receptores de LDL e retira mais partículas do sangue.
Desfechos clínicos: Desfechos comprovados: redução de infarto, AVC e morte cardiovascular em milhares de pessoas (CTT 2010). Primeira escolha na maioria das indicações.
Atenção: Dores musculares podem ocorrer e, quando persistentes, merecem avaliação médica. Elevações de enzimas hepáticas e risco de diabetes são incomuns e monitorados. Nunca pare sem conversar com o médico.
Ezetimiba
↓ LDL ≈ 15–20%Como age: Reduz a absorção de colesterol no intestino delgado (transportador NPC1L1). O fígado compensa aumentando os receptores de LDL.
Desfechos clínicos: Desfechos comprovados quando combinada à estatina em pessoas de alto risco (IMPROVE-IT). Raramente usada isolada para alto risco.
Atenção: Boa tolerabilidade; uso em combinação é o mais comum. Não é substituto da estatina indicada.
Anticorpos anti-PCSK9 (evolocumabe, alirocumabe)
↓ LDL ≈ 50–60%Como age: A PCSK9 destrói os receptores de LDL do fígado. Os anticorpos bloqueiam a PCSK9, o fígado mantém mais receptores e retira mais LDL do sangue. Aplicação subcutânea a cada 2–4 semanas.
Desfechos clínicos: Desfechos comprovados: FOURIER e ODYSSEY OUTCOMES mostraram menos eventos cardiovasculares em pessoas de alto risco.
Atenção: Injeções subcutâneas; reações no local são as mais comuns. Prescrição e acompanhamento médicos.
Inclisirana
↓ LDL ≈ 40–50% (após carga inicial)Como age: Interferência de RNA que reduz a produção de PCSK9 no fígado, aumentando os receptores de LDL. Aplicação subcutânea a cada 6 meses após as duas primeiras doses.
Desfechos clínicos: Evidência atual: redução consistente e duradoura de LDL e ApoB (ORION-9/10/11) — biomarcadores. Desfechos de eventos (ORION-4) ainda em andamento.
Atenção: Injeções pouco frequentes; reações leves no local. Escolha médica conforme caso e disponibilidade.
Ácido bempedoico
↓ LDL ≈ 15–20%Como age: Inibe uma etapa anterior à HMG-CoA redutase (enzima ACL) apenas no fígado, com menos efeito nos músculos.
Desfechos clínicos: Desfechos comprovados em pessoas intolerantes à estatina: CLEAR Outcomes mostrou menos eventos cardiovasculares.
Atenção: Dores musculares bem menos frequentes que com estatinas; pode elevar ácido úrico e creatinina. Decisão médica.
Tratamentos para triglicerídeos muito altos
↓ TG (varia conforme classe)Como age: Fibratos reduzem a produção e aumentam a queima de triglicerídeos; o ácido icosapentaenoico etílico (EPA puro) age no metabolismo lipídico.
Desfechos clínicos: Em TG muito altos, o objetivo prioritário é prevenir pancreatite. Em risco cardiovascular, REDUCE-IT mostrou redução de eventos com EPA puro em TG elevados; outras moléculas de ômega-3 não reduziram eventos (PROMINENT) — não são intercambiáveis.
Atenção: Fibratos podem interagir com estatinas (risco muscular). Uso apenas com orientação médica.
Por que continuar após normalizar?
O número melhora porque o medicamento está funcionando. Ao suspender, o LDL volta a subir e as artérias voltam a receber colesterol — como em qualquer doença crônica, como pressão alta. Tratar não é chegar a uma meta uma vez; é manter.
E se houver efeitos adversos?
Nem toda dor é causada pelo medicamento — existe o efeito nocebo, quando a expectativa gera sintomas. Ainda assim, relate sempre. Há alternativas e ajustes possíveis, avaliados pelo médico. Nunca suspenda por conta própria e nunca tome doses sugeridas por fora do seu acompanhamento.